ZY0TA – Ilha de Trindade

A Ilha da Trindade é a principal ilha de um arquipélogo vulcânico brasileiro localizado a 1.200 km da costa do Estado do Espírito Santo.

Com 9,2 km² de área e terreno acidentado, abriga apenas o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT), mantido pela Marinha do Brasil para garantir a soberania nacional e apoiar pesquisas científicas.

O porto de partida e retorno foi o Rio de Janeiro. A duração da viagem até a ilha foi de 3 dias.

No ano de 1989, PY5AKW – Nei Camargo obteve autorização para uma DXPedition à Trindade, permanecendo lá em operação em CW e fonia por cerca de 30 horas dentre os dias 20 e 21 de junho.

Divulgamos aqui essa aventura de nosso associado Nei, valorizando sua iniciativa e esforços nessa difícil expedição e também, para incentivar novos radioamadores à praticarem essa modalidade de operação em expedições que é simplesmente fantástica !

Prezados amigos radioamadores, quero aqui deixar uma pequena lembrança do histórico da minha expediçõa à ilha brasileira de Trindade para uma operação radioamadorística.

Todos nós radioamadores amantes do DX sonhamos um dia podermos realizar uma DXPedition. Eu consegui esta em 1989 graças ao apoio de várias pessoas e entidades, como consta no verso do cartão (vide galeria de imagens). Saibam que foi uma experiência incrível, tanto do lado humano como no operacional.

No decorrer da apresentação das fotos da viagem, explicarei os detalhes das alegrias e das dificuldades encontradas durante a operação, que não foram poucas.

A operação em si que pude efetuar restringiu-se a tarde do dia 20 e no dia 21 de junho de 1989, sendo a grande maioria dos contatos feitas na modalidade CW. Na verdade consegui trabalhar pouco mais de um dia devido a baixa propagação, problemas com a antena, com o rádio, pausas para refeições, sono, montagem e desmontagem da estação (sozinho) e, retorno na noite do dia 21 com a “cabrita” (balsa/flutuante), água pelos tornozelos e com medo de tubarões que têm na ilha. Mesmo assim consegui efetuar cerca de 800 contatos.

Os equipamentos que utilizei foram: r-adios Yaesu FT-101ZD e Kenwood TS-120S. Amplificador linear Mac L 2000 e acoplador de antenas Delta 500. Antena vertical Electril 3DX4 para as bandas de 10, 15, 20 e 40m.

Viajei para a cidade do Rio de Janeiro com um dia de antecedência com medo de perder o embarque. Quem estava lá me esperando, o grande dxista PY1BVY Ron (foto ao lado da embarcação) que gentilmente me acolheu em seu apartamento e ajudou-me no entendimento da montagem da antena.

O navio foi o Almirante Barroso. Os civis que participaram da viagem constam registrados nas fotos à seguir – eu, um oficial e vários estudantes da UFRJ que foram efetuar pesquisas na área de oceanografia e biologia.

As acomodações ótimas, beliches para dormir, sala de descanso, refeitório. Durante a viagem, treinamento para situações de emergência.

Nas fotos podem ser observadas: Primeira visão da ilha; contornando a ilha; pegando peixes “pufa” … por favor me peguem para uma peixada a bordo; navio ao largo após a ancoragem.

O acesso à ilha foi uma emoção à parte. Primeiro um inflável vai até bem próximo da ilha e lança uma corda que foi amarrada à uma catraca e então, amarrada à “cabrita”, um flutuante feito com tambores utilizado para desembarque de material, como alimento, gás e equipamentos.

A cabrita flutuava ao lado do navio e nós descíamos por uma escada feita de cordas até próximo ao container da cabrita, isto é, tínhamos que esperar uma onda subir a cabrita e nós nos agarrávamos na caçamba plástica… claro, com salva vidas. A seguir a cabrita era puxada para a ilha. O local do desembarque está documentado nas fotos.

Com o auxílio de um carrinho de mão, levamos os equipamentos e antena para a sala que chamarei de “sala de rádio”. Como acompanhante durante toda nossa permanência na ilha, tivemos os caranguejos que chegavam a ficar até dentro da casa.

Montagem da antena: Etapa mais demorada na montagem da estação pois não conseguia reduzir a estacionária que era muito alta, e o pior, eu não imaginava o por quê !

Um marinheiro operador PX, vendo o meu desespero falou… “se você não levantar os radiais da areia não vai acertar a estacionária”. A ilha é de origem vulcânica e a resistividade da areia é altíssima.

Saí procurando forquilhas pelo mato e as enterrei na areia, levantando todos os radiais. Resultado… Funcionou ” apesar de ter consumido muitas horas de tentativas.

O pile-up foi intenso tendo que fazer split de 5 a 10 kHz. Na madrugada, uma fumaça branca saiu de dentro do Yaesu FT-101ZD. Abri o rádio e ví que a válvula chegou a trincar. O motivo… a energia era mantida por um gerador que em um pico de tensão, o rádio não resistiu. Ainda bem que tinha levado outro rádio, o Kenwood TS-120S que deu continuidade à operação.

Eu tinha já agendado um Net com P5EG Atilano e saí do CW para SSB. Trabalhei estações de vários continentes. Terminando o tempo, F2CW Jac, um dxista famoso, perguntou se eu poderia acessar o net da French DX Foundation, o que prontamente também atendi.

Os cartões QSL foram confeccionados pela French DX Foundation.

PY5AKW Nei Camargo


Rolar para cima